sábado, 17 de setembro de 2011

SOBRE GRAVAÇÃO (ou filmagem)


1. Tenha toda a produção sob controle:
Iluminação, equipamento de gravação, fitas, cabos, microfones, energia elétrica, alimentação, transporte, autorizações, verifique se tudo está preparado na véspera.
Não deixe nada para última hora, pois sempre vai aparecer alguma coisa que não estava prevista para esse momento, e você não poderá deixar sua equipe esperando para que isso seja resolvido na hora.
Muitas vezes um pequeno detalhe “derruba” uma gravação importante.
2. Planejamento nunca é demais:
Planeje cada tomada de cena, pois quando você for montar o programa cada imagem será importantíssima.
Tenha uma agenda de entrevistas, prevendo onde cada entrevistado ficará, a posição de câmera necessária para cada entrevista, e todas as imagens adicionais que tem que ser produzidas a cada etapa da gravação. Tenha isso escrito, para que você não esqueça de algo que deveria ter sido filmado e tenha que voltar atrás. Nesse caso, provavelmente você não conseguirá mais a imagem que você precisava ter gravado naquele momento específico (o momento passou, e você ficou sem aquela importante imagem, que certamente fará falta na montagem).
3 . Cada tomada é importante:
Quando você for montar e apresentar seu programa cada tomada (ou plano) será importantíssimo. Até porque a narrativa em cinema e vídeo se estabelece nessa mudança entre planos.
4. Grave alternadamente:
Planos gerais, médios e bastante planos detalhes de todas as cenas. Eles serão fundamentais na montagem.

DICAS SOBRE GRAVAÇÃO

1. TENHA A ILUMINAÇÃO CORRETA

Prefira sempre a iluminação do sol, brilhante ou encoberto, onde são lançadas sombras fortes ou fracas.

Se você vai gravar interiores, provavelmente você vai precisar de lâmpadas especiais. Neste caso não seja ambicioso, limite-se a cenas de perto e aposentos pequenos.

Evite cenas com excessivo contraste. Ex: um primeiro plano escuro e um fundo brilhante, assim como cenas em contraluz, em que a fonte de luz é mais forte do que o objeto a ser enfocado.


2. ENQUADRE SEU OBJETO

Depois de escolher o que se quer gravar, é preciso olhar pelo visor da câmera procurando criar um enquadramento agradável. Cuidando do primeiro plano e criando uma ambiência para o objeto principal.


3. FAÇA O OBJETO MOVER-SE

Movimento é o fundamento básico da arte do cinema, mas é impressionante o número de realizadores que sujeitam seus espectadores a cenas intermináveis de estátuas, edifícios, morros e outros objetos imóveis. Você não pode fazer estes objetos se moverem, mas pode criar movimento diante deles. Ex: um edifício com gente entrando e saindo, uma casa de fazenda com uma carroça passando em frente.


4. CONSERVE A CÂMERA IMÓVEL

Dizer que precisa haver movimento não quer dizer que a câmera tenha que ficar se movendo o tempo todo. Os objetos a serem gravados devem ter movimento, mas a câmera não.

Uma exceção é quando mostramos objetos que se movem


5. FAÇA BASTANTE PRIMEIROS PLANOS E DETALHES

Por uma questão de entendimento “estético” as imagens em detalhe aparecem melhor no vídeo, e tem muito mais impacto do que as cenas distantes que acabam por criar uma “indefinição” no seu objeto.


6. VARIE A POSIÇÃO

Cada cena deve ser filmada de várias posições diferentes. A variação de planos tem uma função narrativa, que esclarece uma situação “visualmente” para o espectador, conferindo dinâmica narrativa para a cena que se pretende. Além de variar a distância, você deve variar o ângulo de enquadramento. Ex: plano geral de uma praia com criança que constrói um castelo de areia, plano médio da criança, plano detalhe de suas mãos mexendo na areia.


7. FAÇA CENAS COM DURAÇÃO DIFERENTE

Assim como a posição, os tempos de cada imagem (plano) conferem agilidade narrativa ao programa. Uma cena parada tende a cansar o espectador se for apresentada em planos muito longos, da mesma forma uma cena agitada permite que as imagens sejam mais rápidas, etc.


8. FAÇA SEU FILME CONTAR UMA HISTÓRIA

A intenção de fazer um vídeo é contar uma história, e não enfileirar uma imagem após a outra.

Isto não quer dizer que você tem que ser um grande roteirista ou escritor bem-sucedido de ficção para fazer um vídeo (ou filme).

Num filme amador poderíamos ver as seguintes cenas: uma casa, uma mãe e uma criança andando juntas, três crianças conversando, as mesmas crianças sorrindo e acenando para a câmera.

De uma outra maneira, estas mesmas cenas poderia contar algo para o espectador e estarem “integradas” entre si, o que possibilitaria sua “montagem” de forma ordenada e não apenas como uma coleção de imagens. Ex: vemos a casa, num plano mais próximo vemos a porta que se abre, e então saem a mãe e sua filha, vemos olhares das duas, a criança leva uma pasta e está de uniforme, a câmera acompanha as duas que saem de casa, até a esquina, quando a criança encontra mais duas amigas, que também vão para o colégio, vemos seus rostos de alegria com o encontro, noutro plano vemos a vista geral da rua por onde eles vão seguir em direção ao colégio, e assim por diante…

FILTROS

Os filtros servem para a correção de cor de uma cena, para criar uma ambiência especial, ou para corrigir a foto-metragem.

Podem ser aplicados sobre a lente da câmera, sobre os refletores ou em parte do cenário.

Filtros de correção ou efeitos para luzes são em forma de papel(acetato) para serem presos nas bandeiras dos refletores ou garras, em janelas ou outras entradas de luz, etc…

Filtros para lente da câmera podem ser de cristal ou acrílico. Os de cristal podem ser em formato quadrado (usados num porta lente especial) ou redondos com anel rosqueado para serem acoplados diretamente sobre a lente da câmera (verificar os diâmetros entre ambos para compatibilidade)

FILTROS DE DENSIDADE (ND)

Corrigem excesso de luz sem modificar a textura ou cor da cena.

FILTROS DE CORREÇÃO DE TEMPERATURA DE COR

Corrigem a colorimentria da luz adequando ao filme utilizado (no caso de câmeras de cinema) ou á iluminação principal utilizada (ex. Equilibrando luz ambiente com iluminação artificial).

FILTRO "POLARIZADOR"

Utilizado para corrigir excesso de refração dos tons brancos e pretos. Existe uma interferência do vapor gasoso do ambiente que não é percebida pelo olho humano, mas o sistema ótico da câmera vê esse defeito e o filtro polarizador minimiza essa interferência, valorizando nuvens, azul do céu, etc. Ex: num dia lindo fazemos fotos, mas elas ficam desbotadas. O filtro polarizador corrige isso conferindo uma maior definição á cena.

FILTROS DE EFEITOS ESPECIAIS

Como o nome diz são filtros que espelham, dividem ou conferem cores diferentes e variadas á imagem.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O QUE É COLORIMETRIA

Luz é cor
O olho humano com a sua alta tecnologia corrige todas as diferenças de coloração nos diversos ambientes de maneira a uniformizar os tons das cores e dos objetos (ex: quem já percebeu o ligeiro tom avermelhado no fim de tarde, ou a luz azulada de um dia meio nublado sabe que essa mudança de luz não representa uma variação muito grande de cor ou distorção desagradável. porém o mesmo não acontece com uma camera de video-ou foto. a cor da imagem vai aparecer saturada, para o vermelho, verde ou azul, dependendo do tipo de variação de luz. para corrigir isso as cameras tem filtros embutidos).
A nossa visão também corrige a quantidade de luz que chega ao nosso olho, criando uma visão estável em todos os momentos (ex: quando saímos de um ambiente muito iluminado para um muito escuro, levamos alguns momentos para o nosso olho se “acostumar” com esse novo ambiente)
Como isso não acontece com as câmeras, que precisam ser ajustadas a cada tipo de luz ambiente, foi preciso criar um padrão de referência de colorimetria que é utilizado em negativos de cinema e fotográficos e na regulagem de equipamentos digitais.
Esses dois padrões de referência são:
3.200º K (luz de luz de tungstênio) e 5.600º K (luz do dia)
ESCALA DE temperaturas de cor
(vermelho)
800ºK – ferro em brasa
1.850ºK – luz da vela
2.400ºK– lâmpadas incandescentes domésticas antigas
2.500ºK - lâmpadas incandescentes de tungstênio de 60W
2.800ºK – lâmpadas incandescentes de tungstênio a gás de
500W
3.200ºK – lâmpadas de halogênio, TV Foto-Flood tipo B,
lâmpadas de projeção de cinema
3.800ºK – flash de magnésio
5.000ºK – luz do sol (de 1 a 2 horas após nascer e antes do
ocaso)
6.000ºK - luz do sol (de 2 a 4 horas após nascer e antes do
ocaso), luz de flash azul
7.000ºK – céu encoberto ao meio dia
10.000ºK – sol ao meio-dia na serra ou na beira-mar
(azul)

A IMAGEM (Como funciona)

A comunicação é fruto de um processo de evolução da humanidade através dos tempos. Desde a pré-história até os dias atuais.
A imagem tem um papel importante enquanto linguagem.
É através da imagem que o homem vê o mundo que lhe cerca.
Imagem no Olho
O cristalino funciona como uma lente
Retina– é uma membrana fotossensível do olho, onde a imagem é transformada em impulsos elétricos
Cérebro–decodifica os impulsos elétricos em imagens.
Ver e ouvir são os principais sentidos da comunicação. Nossos sentidos são os interfaces que nos conectam ao mundo em que vivemos, é através deles que experimentamos a realidade.
Pintura e gravura são as primeiras invenções para o registro de imagens.
Com a invenção da fotografia, e posteriormente do cinema, foi possível o registro de imagens que reproduziam fielmente a realidade.
Imagem na Câmera
Lentes
Processador sensível a luz
Sensor digital ou analógico
Fita de vídeo ou negativo de filme
LUZ É COR
Em 1672, o físico Isaac Newton publicou a obra NOVA TEORIA DA LUZ E DA COR, provando ser a luz branca composta por todas as cores do espectro visível. Utilizando um prisma, fez um raio de luz atravessá-lo e observou que do outro lado aparecia uma imagem multicolorida a qual deu o nome de espectro
O que diz a teoria de Newton: toda a luz ao atravessar um meio transparente (ou translúcido) sofre um desvio (ou refração) que depende do meio, mas também do comprimento de onda das cores componentes do raio de luminoso. 

Newton provou assim que a luz branca é composta de um espectro colorido, ou seja, a luz branca é composta de várias cores já que essas cores se separam quando atravessam um meio (vidro, prisma, ou outro material) devido a diferença de suas matizes.
A imagem (na prática)
Para se entender a imagem foto-cinematográfica temos que entender a projeção ótica dessa imagem, que começa na forma pela qual o olho vê um objeto e a imagem desse objeto é formada no cérebro.

A imagem como vemos é fruto de um mecanismo ótico que forma a imagem no olho, e depois essa imagem vai do olho até o cérebro onde a imagem é “visualizada”

A imagem em movimento

Através do fenômeno físico chamado persistência retiniana (de retina), no qual o olho percebe imagens e essas imagens ficam alguns segundos impressas na memória, poder-se-ia criar uma ilusão de movimento exibindo em cadência (ritmo ordenado) uma série sucessiva de imagens, criando assim a ilusão do movimento.
A invenção do cinema é uma exploração dessa capacidade do olhar, e as câmeras de cinema foram criadas seguindo esse modelo técnico (do olho).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

EXERCÍCIO: TRÊS PLANOS EM UMA UNICA TOMADA

Objetivo: gravar três planos de uma só vez.

Descrição da Atividade:

1 - Em uma gravação de um plano com zoom grave entre 10 e 15 segundos do plano inicial do zoom, e;

2 - Faça o zoom e mantenha mais 10 a 15 segundos no plano final do zoom.

3 - Resultado: Na montagem você poderá escolher entre os três planos gravados, o plano fixo do inicio, o movimento de zoom ou o plano final da tomada (dois planos fixos e um em movimento, gravados numa mesma tomada).

IMPORTANTE – alguns experientes diretores de cinema nunca lançam mão do zoom, pois, diferente do carrinho (também chamado de travelling), que produz uma sensação física de deslocamento (porque existe um deslocamento real da câmera que anda literalmente sobre os trilhos) o zoom é um efeito ótico que provoca uma sensação artificial de aproximação com o objeto gravado.

EXERCÍCIO DE FOCO E ZOOM:

Objetivo – trabalhar enquadramento com variação de plano e correção de foco, ao mesmo tempo.

Necessidades: CÂMERA, TRIPÉ, SALA AMPLA E GRUPO DE PESSOAS(mínimo de 3 pessoas)

IMPORTANTE: USAR FOCO MANUAL (desligar o foco automático na câmera)

Objetivo: MANTER UM ENQUADRAMENTO FIXO ENQUANTO A PESSOA SE MOVE EM DIREÇÂO À CÂMERA.

O objetivo do exercício é manter o foco e o quadro, regulando os comandos de foco e o zoom ao mesmo tempo.

Descrição da Atividade:

1 - ESCOLHA CLOSE E PRIMEIRO PLANO.

2 - Como fazer? UMA PESSOA NA CÂMERA OUTRA NO FUNDO DA SALA. A pessoa no fundo da sala vai andar calmamente em direção paralela à câmera (caminhar para câmera lateralmente, isto é sem ser diretamente para a lente, meio lateral, passando de lado para que o câmera possa acompanhar você numa panorâmica).

Os outros assistem na TV a imagem e ajudam o operador da câmera a manter o foco e o enquadramento.

3 - REVESAMENTO: Uma faz a câmera, outra anda para a câmera, e as outras avaliam isso pela TV. Depois se revezam. Quem fez a camera vai assistir na TV e quem estava vendo vai operar a camera, etc.